A engenharia financeira por trás do novo dono da Braskem

 


(Imagem: Luke Sharrett | Bloomberg)

A novela do controle da Braskem finalmente ganhou um capítulo decisivo, e ele ajuda a entender como grandes empresas mudam de mãos no Brasil quando dívidas entram no jogo.

Uma dose de contexto: A Braskem, petroquímica líder na produção de plásticos que faturou R$ 13 bi em 2024, passou anos paralisada por disputas societárias, desastre ambiental em Maceió e alta alavancagem.

  • Para se ter ideia do rombo, a empresa perdeu cerca de US$ 11 bilhões em valor de mercado desde 2017.

Foi nesse cenário que a IG4 Capital entrou no negócio. Em vez de comprar ações diretamente, a gestora optou por um caminho comum em grandes reestruturações: comprar a dívida do controlador.

A antiga controladora, Novonor (ex-Odebrecht), hoje em recuperação judicial, devia cerca de R$ 20 bilhões a bancos como Itaú, Bradesco, Santander, BB e BNDES. Essas dívidas tinham como garantia justamente as ações da Braskem.

Ao adquirir esses créditos por meio de um fundo, a IG4 passou a deter o direito econômico sobre as ações. Em termos simples: quem controla a dívida passa a controlar o destino da empresa.

Se o negócio for aprovado pelo Cade, a IG4 ficará com 50,1% do capital votante, dividindo o controle com a Petrobras. A Novonor sai do comando e fica com apenas 4%, sem poder de decisão. Seria o fim de um impasse que durou anos…

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