Um movimento crescente entre empresas de diferentes setores indica que a tradicional escala 6x1 — em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um — pode estar perto do fim no Brasil. Grandes companhias do varejo, hotelaria de luxo e até da mineração já iniciaram a transição para modelos mais equilibrados, como 5x2 ou até 4x3, buscando melhorar a qualidade de vida dos funcionários e aumentar a produtividade
Setores já adotam novas escalas
No varejo, o Grupo DPSP, responsável pelas redes Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, abandonou completamente o 6x1 e passou a operar no formato 5x2 em todas as unidades. No setor de moda, a chegada da H&M ao país em agosto de 2025 já ocorreu com todas as lojas funcionando com dois dias de folga por semana.
A hotelaria de luxo também aderiu ao novo modelo. O Palácio Tangará e o Copacabana Palace, dois dos hotéis mais prestigiados do país, implementaram uma escala 5x2 em 2025. No Tangará, inclusive, foi necessária a contratação de novos funcionários para manter o padrão de atendimento, mas sem qualquer redução de salário para a equipe.
Na mineração, a AngloGold Ashanti experimenta uma mudança ainda mais ousada: o regime 4x3, no qual o trabalhador atua quatro dias e descansa três. A empresa afirma que o foco está no resultado final, não nas horas registradas.
Pressão popular impulsiona o debate
A discussão sobre o fim do 6x1 ganhou força após a viralização de um vídeo nas redes sociais em que um trabalhador critica o desgaste causado pelo modelo. A repercussão motivou uma mobilização nacional, que rapidamente ultrapassou 1,3 milhão de assinaturas em uma petição solicitando a revisão da escala.
Esse movimento fortaleceu o debate político sobre a redução da carga de trabalho no país.
Propostas políticas em andamento
No Congresso Nacional, a deputada Erika Hilton apresentou a PEC 8/2025, que propõe uma jornada semanal de 36 horas, distribuídas em quatro dias de trabalho.
Paralelamente, o governo federal elabora uma proposta que pretende extinguir definitivamente a escala 6x1 e instituir como padrão nacional uma jornada de 40 horas semanais com folgas no formato 5x2.
O que muda para empresas e trabalhadores
Especialistas afirmam que a revisão das escalas representa um novo entendimento sobre produtividade e bem-estar. Empresas que já fizeram uma transição relacionam-se com melhora no clima organizacional, queda na rotatividade e maior atração de talentos.
Para os trabalhadores, o fim do 6x1 significaria mais tempo para descanso, convivência familiar e lazer — fatores cada vez mais valorizados e diretamente associados à saúde física e mental.
Embora a mudança ainda esteja na fase inicial, o movimento crescente nas empresas e as publicações em Brasília apontam que o 6x1, tão tradicional no mercado brasileiro, pode estar com os dias contados.