A CPMI do INSS deve votar nesta quinta-feira (4) o requisito de que solicite a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para prestar esclarecimentos ao colegiado. A inclusão do pedido na pauta foi confirmada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), na última terça-feira (2).
Segundo Viana, todos os requisitos serão votados individualmente. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), ele afirmou que a medida garantirá total transparência sobre como cada parlamentar se posicionará.
Por que Lulinha pode ser convocada
O requisito foi apresentado pelo Partido Novo, que afirma existirem investidores financeiros que apontam uma possível conexão entre operadores envolvidos na chamada “Farra do INSS” e pessoas próximas ao presidente da República, incluindo Lulinha.
O partido cita, como exemplo, o caso de Ricardo Bimbo, dirigente do PT, que teria recebido mais de R$ 8,4 milhões de uma empresa investigada no esquema. Durante o mesmo período, Bimbo efetuou o pagamento de um boleto destinado ao contador de Lulinha — profissional que é alvo da Operação Fim da Linha, sob suspeitas de lavagem de dinheiro.
Para os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Eduardo Girão (Novo-CE), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ), autores do requerimento, ouvir o filho do presidente é “essencial” para esclarecer se houve uso de sua estrutura contábil ou qualquer eventual ligação indireta com o esquema de fraudes.
Convocações já rejudadas
Esta não é a primeira tentativa de oposição de ouvir pessoas próximas ao presidente Lula. Em outubro, os parlamentares governamentalistas rejeitaram o pedido para convocar José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente e tio de Lulinha. Frei Chico foi vice-presidente do Sindnapi, entidade investigada por fraudes bilionárias, mas não é alvo da Polícia Federal.
O governo também se articulou para retirar as exigências de quebra de sigilo do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, que era o titular da pasta quando o esquema veio à tona, em abril deste ano.
Comissão mira fraudes no INSS
Instalada em 20 de agosto, a CPMI foi criada para investigar fraudes em descontos associativos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. As irregularidades foram reveladas após uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União.
A comissão tem funcionamento previsto até março de 2026, com possibilidade de prorrogação. Enquanto a oposição tenta responsabilizar o governo federal pelo aumento dos descontos ilegais nos últimos anos, aliados do Planalto afirmaram que o esquema existe desde 2019, ainda no governo Jair Bolsonaro (PL).
Disputa política dentro da comissão
Apesar de o governo ter atuado para garantir a maioria na formação da CPMI — queda de parlamentares que conseguiram assinar o pedido de criação — sofreu uma derrota na eleição interna. O senador Omar Aziz (PSD-AM), apoiado pelo Planalto, perdeu para Carlos Viana, que assumiu a presidência da comissão.
Uma das primeiras decisões de Viana foi descartada o nome inicialmente cotado para relator, o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), escolhido no lugar do deputado Alfredo Gaspar.
Na reunião mais recente do colegiado, Viana afirmou que a CPMI não protegerá ninguém:
“Aqui dentro desta CPMI, a verdade não tem dono. Aqui ninguém é intocável. Nem amigo, nem aliado, nem adversário, nem parente de gente importante. Quem deve tem de responder”.
A votação do pedido para convocar Lulinha promete acirrar ainda mais os ânimos entre governo e oposição dentro da comissão.