Imóveis cada vez mais caros? Os dados contam outra história

 


(Imagem: Getty Images)

Existe uma crença quase automática de que o preço dos imóveis “só sobe”. Mas quando os números são ajustados pela inflação, a história muda — e surpreende.

Uma análise baseada nos dados do FipeZAP mostra que, em termos reais, os imóveis no Brasil não estão mais caros na maior parte das capitais.

O ponto central: Preço nominal ≠ Preço real

Em valores nominais, o preço médio do metro quadrado em São Paulo saiu de R$ 2.611 em 2008 para R$ 11.882 em 2025. Mas esse número engana… Quando os preços são deflacionados pelo IPCA, o valor real dos imóveis:

  • subiu até 2014, durante o boom imobiliário;

  • entrou em queda após a recessão de 2015–2016;

  • voltou a cair na pandemia, de 2020 a 2022;

  • e ainda não recuperou os níveis do pico em muitas capitais.

Em São Paulo, por exemplo, o preço real atual equivale ao de 2011.

Capitais onde os imóveis ficaram mais baratos (em termos reais). Desde a grande recessão:

  • Rio de Janeiro teve a maior queda real: –44%;

  • Brasília: caiu 33%;

  • São Paulo e Porto Alegre também acumulam queda real relevante.

Ou seja: em várias grandes cidades, comprar hoje custa menos poder de compra do que anos atrás. A alta real ficou concentrada em poucos mercados:

  • Vitória (+35% desde 2015);

  • Florianópolis (+23%);

  • Maceió e Curitiba tiveram forte valorização desde a pandemia.

Curiosidade: Vitória, inclusive, com todo esse boom nos preços, aparece hoje como a capital com o metro quadrado mais caro do Brasil — algo impensável anos atrás.

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