O superávit da balança comercial brasileira caiu 13,4% em novembro de 2025, alcançando US$ 5,842 bilhões, conforme informou nesta quinta-feira (4) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O desempenho ficou praticamente em linha com a expectativa do mercado: pesquisa da Reuters projetava saldo positivo de US$ 5,7 bilhões para o período.
O resultado mensal foi impulsionado por exportações de US$ 28,515 bilhões, um crescimento de 2,4% em relação a novembro do ano passado. Já as importações somaram US$ 22,673 bilhões, avançando 7,4% na mesma base de comparação.
Recordes no acumulado do ano
De janeiro a novembro, o país acumula superávit de US$ 57,839 bilhões, com exportações de US$ 317,821 bilhões (+1,8%) e importações de US$ 259,983 bilhões (+7,2%). Ambos os números são os maiores já registrados para o período na série histórica, iniciada em 1989.
Setor agropecuário puxa exportações
Em novembro, o destaque ficou com o agronegócio, que registrou aumento expressivo de 25,8% nas vendas externas. A indústria de transformação também cresceu, com alta de 3,7%, enquanto a indústria extrativa teve queda significativa de 14%.
Nas importações, o movimento foi inverso: a indústria de transformação registrou avanço de 9,3%, enquanto a indústria extrativa apresentou recuo de 18,1%. Já o setor agropecuário teve queda de 5,4% nas compras externas.
China impulsiona exportações, enquanto retração para os EUA diminui
Segundo Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Comércio Exterior do MDIC, o principal impulso para o crescimento das exportações no mês veio dos embarques destinados à China, que tiveram alta de 41%.
As vendas para os Estados Unidos, apesar de ainda apresentarem queda, mostraram melhora: o recuo foi de 28,1%, bem menor que a redução de 37% registrada em outubro.
Brandão lembrou que, em 20 de novembro, o presidente norte-americano Donald Trump assinou um decreto suspendendo as tarifas de 40% sobre carne bovina, café e outros produtos agrícolas brasileiros, impostas desde agosto. Ele afirma, porém, que os efeitos da medida ainda não foram captados nos números de novembro.
“Possivelmente ainda não observamos esse efeito da retirada da tarifa sobre esses produtos neste mês. Esperamos observar nos próximos meses”, afirmou.
Petróleo, carne e café entre os produtos com retração
Entre os principais itens que registraram queda nos embarques, destacam-se os óleos brutos de petróleo, que não foram afetados por tarifas, além de carne e café. Segundo Brandão, um “mix de situações” torna difícil indicar uma tendência clara no momento.
Ele pondera que os próximos meses devem trazer maior visibilidade sobre o comportamento dessas exportações, especialmente após a recente suspensão de tarifas pelos EUA.