 |
| Imagem ilustrativa |
O Brasil caminha para assumir um papel ainda mais central no mercado internacional de soja em 2026. A projeção é de que o país seja responsável por cerca de 60% de toda a oferta mundial do grão, em um cenário marcado pela redução da produção nos Estados Unidos e na Argentina. A expectativa de uma safra recorde reforça o protagonismo brasileiro como principal fornecedor global.
Os primeiros sinais dessa virada já aparecem nos preços internacionais e no ritmo dos embarques realizados pelos portos brasileiros, que indicam recuperação após um período de pressão. Entre os fatores que sustentam esse movimento está o acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos, que trouxe maior previsibilidade ao comércio internacional e ajudou a reorganizar o fluxo global de commodities agrícolas.
No mercado interno, a formação de preços segue fortemente influenciada pelo câmbio. A tendência é de um dólar mais pressionado, reflexo da redução da taxa de juros nos Estados Unidos, o que pode limitar ganhos mais expressivos para o produtor brasileiro, mesmo diante da maior demanda externa. Ainda assim, a combinação entre volume elevado de produção e maior participação no comércio global mantém perspectivas positivas para o setor.
Especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) chamam atenção para um ponto de cautela: a Argentina voltou a ganhar competitividade após reduzir as alíquotas de exportação sobre a soja e seus derivados, como farelo e óleo. Essa medida pode aumentar a presença do país vizinho no mercado internacional e, consequentemente, limitar uma recuperação mais forte dos preços.
Mesmo com esse desafio, a avaliação é de que o Brasil continuará em posição estratégica no abastecimento global em 2026, sustentado por altos volumes de produção, eficiência logística crescente e forte demanda internacional, especialmente da Ásia. O desempenho da safra e o comportamento do câmbio serão determinantes para definir os resultados finais do mercado ao longo do ano.