Até o árbitro do mercado virou questão política por aqui

 


(Imagem: Leo Pinheiro | Valor Econômico)

A sabatina no Senado que deveria chancelar o novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deve ficar para depois — e o atraso não é por acaso.

Explicando: Nos últimos dias, Lula indicou Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo para comandar o principal órgão regulador do mercado de capitais do país.

Por que isso importa? Pela primeira vez em quase 50 anos, a CVM deixou de seguir a tradição de nomes técnicos e passou a ser tratada como moeda de troca política.

Nos bastidores, a leitura é que a escolha serviria para agradar o Centrão e destravar apoios no Senado. A articulação teria passado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, embora ele hoje negue envolvimento direto.

  • Outro ruído veio da suposta proximidade com os irmãos Batista, do grupo J&F. Pessoas próximas à empresa negam apadrinhamento e dizem que seria uma tentativa de explicar por que o preferido de Fernando Haddad não foi o escolhido.

Lobo tem bom relacionamento com magistrados — inclusive no STF — e já votou favoravelmente ao Master em diversas ocasiõesAprofunde aqui se quiser.

Com um cenário tão conturbado, senadores preferem ganhar tempo, esfriando a discussão ao jogar a votação mais para frente.

Bottom-line: A preocupação com o rumo do órgão não vem de hoje. Em junho do ano passado, superintendentes da CVM divulgaram carta aberta manifestando "atenção e muita preocupação" com os rumos da instituição.

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