O Brasil terminou o ano de 2025 com o maior número de consumidores inadimplentes já registrado. Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o SPC Brasil aponta que 73,49 milhões de pessoas estavam com o nome negativado em dezembro, o equivalente a 44,02% da população adulta do país.
Na comparação anual, o contingente de devedores cresceu 10,17% em relação a dezembro de 2024. Já na variação mensal, houve avanço de 0,87% frente a novembro, confirmando a tendência de alta ao longo do ano.
Entre os fatores que contribuíram para o resultado está o aumento expressivo das dívidas com quatro a cinco anos de atraso, faixa que apresentou crescimento superior a 30%. O perfil dos inadimplentes mostra predominância de pessoas com idade entre 30 e 39 anos, grupo que concentra a maior parcela dos registros negativos. A distribuição por gênero é equilibrada, com leve maioria feminina.
O levantamento também revela que a inadimplência avançou em todas as regiões do país, com destaque para o Sul, que registrou a maior alta percentual no comparativo anual. Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste também apresentaram crescimento no número de consumidores com contas em atraso.
Em média, cada inadimplente possuía dívidas próximas de R$ 4,8 mil, geralmente divididas entre mais de dois credores. Apesar disso, uma parte significativa dos débitos é de baixo valor: cerca de um terço dos consumidores devia até R$ 500, e pouco mais de 40% tinham pendências de até R$ 1.000.
Especialistas alertam que o cenário de inadimplência recorde tende a pressionar o mercado de crédito, tornando empréstimos e financiamentos mais caros e difíceis de obter. Com isso, o consumo pode ser afetado, especialmente em setores que dependem de parcelamento, como o varejo de bens duráveis.
