Polícia do RS desarticula esquema de campanhas falsas com nome de criança com doença rara



A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Eclipse, que investiga um grupo suspeito de aplicar golpes por meio de campanhas beneficentes falsas na internet utilizando o nome de uma criança diagnosticada com uma doença rara.

A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e ocorre nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao todo, são cumpridos três mandados de prisão preventiva, seis mandados de busca e apreensão, além de medidas para bloqueio de contas e ativos financeiros dos investigados.

As investigações começaram no fim de 2024, depois que a família de Lorenzo Silveira, de 12 anos, portador de distrofia muscular de Duchenne, percebeu que golpistas estavam utilizando a imagem e o nome do menino em campanhas fraudulentas de arrecadação. Segundo os familiares, a única página oficial para divulgação das doações é um perfil verificado no Instagram.

De acordo com a mãe da criança, Cíntia Claudino, a fraude foi descoberta após uma pessoa enviar um comprovante de Pix em que aparecia um CNPJ desconhecido como destinatário do valor.

Conforme a Polícia Civil, os criminosos clonavam campanhas solidárias legítimas e criavam páginas falsas com fotos, informações médicas e elementos visuais semelhantes aos originais. Em seguida, impulsionavam as publicações nas redes sociais por meio de anúncios pagos, fazendo com que pessoas interessadas em ajudar acabassem transferindo dinheiro para contas ligadas ao grupo criminoso.

O delegado Eibert Moreira Neto explicou que os suspeitos copiavam vaquinhas oficiais e criavam versões paralelas para atrair vítimas e aumentar o alcance das falsas campanhas.

A investigação também identificou uma estrutura financeira organizada, com uso de empresas intermediadoras de pagamento, domínios hospedados em servidores internacionais e intensa movimentação bancária. Uma das campanhas fraudulentas chegou a registrar arrecadação superior a R$ 248 mil.

Entre os principais investigados estão dois homens de 30 anos no Paraná, apontados como responsáveis pela estrutura financeira do esquema e pela movimentação dos recursos obtidos ilegalmente. Outro suspeito, de 31 anos, em Contagem (MG), é investigado por criar e administrar os perfis falsos e os sites utilizados nas fraudes.

Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam para identificar outras vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa, além de dimensionar o prejuízo total causado pelos golpes.

Fonte: GZH

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