EUA Perdem Espaço: Exportações Brasileiras Despencam e China Amplia Liderança nas Compras
As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda de 14% em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quarta-feira (3). O recuo ocorre em meio aos efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo norte-americano desde o ano passado, reduzindo o ritmo das vendas brasileiras para o mercado dos EUA.
Apesar da retração, técnicos do governo federal afirmam que ainda não há elementos suficientes para concluir que a relação comercial entre os dois países tenha passado por uma transformação permanente. De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, movimentos no comércio internacional costumam exigir um período maior para demonstrar tendências consolidadas, especialmente em setores ligados a commodities e alimentos.
Os números da balança comercial mostram que o intercâmbio entre Brasil e Estados Unidos perdeu força em maio. As exportações brasileiras somaram US$ 3,09 bilhões, enquanto as importações vindas dos EUA chegaram a US$ 3,21 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 121 milhões no mês. Entre janeiro e maio, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano totalizaram US$ 14,01 bilhões, queda de 16% na comparação anual.
Enquanto isso, a China reforçou sua posição como principal parceira comercial do Brasil. Em maio, as exportações para o país asiático avançaram 9,5%, atingindo US$ 10,5 bilhões. As importações também cresceram e alcançaram US$ 6,8 bilhões. Com isso, o saldo comercial favorável ao Brasil chegou a US$ 3,7 bilhões apenas no mês. Nos cinco primeiros meses do ano, o superávit com os chineses ultrapassou US$ 15 bilhões.
O desempenho do setor de energia também chamou atenção. As exportações de óleos combustíveis tiveram forte crescimento, impulsionadas pela valorização internacional dos preços em meio às tensões no Oriente Médio. Em contrapartida, os embarques de petróleo bruto recuaram tanto em volume quanto em valor. Segundo o Mdic, a redução é temporária e não está relacionada às medidas tributárias adotadas recentemente pelo governo.
A mudança no destino das exportações brasileiras tem impacto direto sobre a economia nacional, especialmente em regiões produtoras de commodities agrícolas, petróleo, carne e celulose. Com a China ampliando sua participação nas compras externas e os Estados Unidos perdendo espaço, empresas exportadoras acompanham de perto os movimentos do mercado global para ajustar estratégias e aproveitar novas oportunidades comerciais.
