Gaúcho faz história ao receber primeira caneta para emagrecimento pelo SUS em projeto inédito no Brasil
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| Guilherme Panichi, 39 anos, é um dos 250 convidados a participarem de projeto-piloto. (Foto: João Gabriel Lopes/Inpacto/GHC) |
Um motorista de aplicativo de 39 anos, morador de Porto Alegre, tornou-se nesta sexta-feira (26) o primeiro brasileiro a receber uma aplicação de semaglutida fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa integra um projeto-piloto realizado pelo governo federal em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), na Capital, que acompanhará 250 pacientes com obesidade grave durante dois anos.
A primeira aplicação ocorreu no Hospital Conceição, na Zona Norte de Porto Alegre, durante um evento que contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O paciente, Guilherme Henrique Streppel Panichi, faz parte do grupo selecionado por apresentar obesidade mórbida associada a outras doenças. Ao longo da pesquisa, equipes médicas irão monitorar sua evolução para avaliar os resultados clínicos e econômicos do tratamento.
Segundo Guilherme, o excesso de peso o acompanha desde a infância e ele aguardava na fila para a cirurgia bariátrica. O motorista afirmou que o custo da medicação na rede privada tornava o tratamento inviável e vê a participação no estudo como uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida. O projeto também busca verificar se o uso do medicamento pode reduzir a necessidade da cirurgia ou preparar melhor os pacientes para o procedimento.
A pesquisa reúne pessoas que já aguardam pela bariátrica no SUS. Entre os participantes, a maioria apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 50 e muitos ainda não possuem condições clínicas para realizar a operação. De acordo com os pesquisadores, a expectativa é que o tratamento ajude a diminuir o tempo de espera e aumente as chances de sucesso da cirurgia.
O avanço do sobrepeso e da obesidade tem ampliado a pressão sobre o sistema público de saúde em todo o país. No Rio Grande do Sul, onde os índices estão entre os mais elevados do Brasil, iniciativas como essa podem contribuir para ampliar as opções de tratamento e orientar futuras decisões sobre a incorporação da semaglutida ao SUS.
