Remédios falsificados para câncer: empresário é preso em operação no Rio Grande do Sul

 

Foto: Giovani Grizotti / RBS TV

A Polícia Civil cumpriu dezenas de mandados e investiga um grupo suspeito de fraudar a compra de medicamentos de alto custo destinados a pacientes oncológicos no RS.

A investigação sobre remédios falsificados para câncer ganhou um novo desdobramento nesta segunda-feira (29), com a prisão preventiva de um empresário durante a Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil no Rio Grande do Sul. A ofensiva apura um suposto esquema criminoso voltado ao fornecimento de medicamentos adulterados para tratamentos oncológicos, além de possíveis fraudes envolvendo recursos públicos destinados à aquisição desses produtos.

Segundo os investigadores, o empresário é apontado como um dos principais integrantes do núcleo empresarial da organização. A operação também teve como alvos um médico oncologista, advogados e empresas suspeitas de participação no esquema, que teria atuado por meio de processos judiciais para garantir a compra de medicamentos de elevado custo.

Operação investiga fraude em processos e fornecimento de medicamentos

Ao longo da ação, a Polícia Civil cumpriu 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. As medidas judiciais atingiram 15 pessoas físicas e 14 empresas localizadas na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, consideradas peças importantes na investigação.

De acordo com as autoridades, o grupo é suspeito de utilizar empresas ligadas entre si para apresentar orçamentos direcionados, simulando concorrência em processos de aquisição de medicamentos. O objetivo seria obter contratos financiados com recursos públicos destinados ao tratamento de pacientes diagnosticados com câncer.

Durante o cumprimento das buscas, os policiais apreenderam caixas de medicamentos, suplementos alimentares e produtos sem identificação adequada. Conforme informado pela investigação, parte do material encontrado teria sido apresentada pelo empresário como itens descartados por uma fabricante devido ao controle de qualidade. No entanto, a origem e a posse desses produtos continuam sendo apuradas.

Médico e advogados também são alvo das investigações

As investigações apontam que pacientes atendidos por um médico oncologista eram posteriormente encaminhados a advogados que ingressavam com ações judiciais para solicitar medicamentos de alto custo. Após a autorização judicial, empresas vinculadas ao grupo apresentariam propostas comerciais que favoreciam fornecedores ligados aos próprios investigados.

Como medida cautelar, a Justiça determinou a suspensão do exercício profissional do médico e dos advogados envolvidos até o avanço das apurações.

A investigação sobre remédios falsificados para câncer também busca esclarecer se medicamentos entregues aos pacientes eram incompletos ou apresentavam indícios de adulteração, hipótese que ainda depende de análises técnicas.

Suspeita surgiu após irregularidades em medicamento oncológico

O caso começou a ser investigado depois que uma farmacêutica identificou diferenças nas embalagens do medicamento Enhertu, utilizado no tratamento do câncer de mama. Entre as inconsistências observadas estavam alterações na impressão, erros de grafia e características incompatíveis com o produto original.

Posteriormente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de um lote do medicamento após a fabricante comunicar suspeitas de falsificação.

Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 pacientes que podem ter sido afetados pelo esquema. Sete dessas pessoas morreram durante o período em que realizavam tratamento, mas os investigadores ressaltam que ainda não existe confirmação de relação entre os óbitos e os medicamentos sob suspeita.

As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos, rastrear a origem dos produtos apreendidos e verificar o destino dos recursos públicos utilizados nas aquisições. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul também pretende apurar se outras pessoas receberam remédios falsificados para câncer e se novos responsáveis poderão responder criminalmente conforme o avanço das diligências.

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