Baixa adesão a seguros deixa agronegócio mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas


O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de maior exposição a prejuízos provocados por eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, enchentes e ondas de calor. Um dos principais fatores para essa vulnerabilidade é a baixa cobertura de seguros rurais, que ainda protege apenas uma pequena parcela da área agrícola do país.

Dados do setor de seguros indicam que menos de 3% das lavouras brasileiras contam atualmente com algum tipo de proteção, percentual considerado muito baixo diante do aumento da instabilidade climática. Em comparação, países como os Estados Unidos possuem um sistema mais robusto, com ampla participação do seguro agrícola, cobrindo grande parte da produção.

A falta de cobertura faz com que produtores rurais arquem sozinhos com as perdas em safras afetadas por fenômenos climáticos. Em muitos casos, a alternativa tem sido a renegociação de dívidas ou a busca por novos financiamentos, o que eleva o endividamento e aumenta os riscos para toda a cadeia produtiva, incluindo cooperativas, tradings e instituições financeiras.

Especialistas apontam que o alto custo das apólices, os juros elevados e a redução de recursos para subvenção do seguro rural dificultam o acesso dos produtores, especialmente os pequenos e médios. Como resultado, apenas uma parcela limitada dos prejuízos causados por desastres naturais no Brasil é compensada por seguros, percentual bem inferior ao observado em economias mais desenvolvidas.

O cenário preocupa analistas, que alertam para a necessidade de ampliar políticas públicas e incentivar novos modelos de proteção, como seguros paramétricos, que utilizam indicadores climáticos para agilizar indenizações. Essas ferramentas poderiam tornar o setor mais resiliente frente às mudanças no clima.

Com eventos extremos cada vez mais frequentes, a ampliação da cobertura de seguros é vista como essencial para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro e reduzir os impactos econômicos das crises climáticas nos próximos anos.

Postagem Anterior Próxima Postagem