Crise no campo: leite acumula forte desvalorização e margens do produtor encolhem

 



O setor leiteiro brasileiro atravessa um período de forte dificuldade, marcado pela queda contínua no preço do leite pago ao produtor e pela redução significativa das margens de rentabilidade no campo. O cenário, que se intensificou ao longo de 2025, segue preocupando produtores no início de 2026, especialmente em estados com tradição na atividade.

Dados do mercado apontam que o valor do litro do leite vem acumulando desvalorização expressiva, pressionado principalmente pelo excesso de oferta e pela demanda enfraquecida por derivados lácteos. A combinação desses fatores tem limitado a capacidade da indústria de repassar preços mais altos aos produtores.

Além da queda nas cotações, os pecuaristas enfrentam um desafio adicional: os custos de produção permanecem elevados. Gastos com alimentação animal, energia elétrica, mão de obra e insumos seguem em patamares altos, criando um desequilíbrio entre receitas e despesas. Esse efeito tem reduzido drasticamente a margem de lucro e comprometido a sustentabilidade econômica de muitas propriedades.

Outro ponto que contribui para o cenário negativo é o aumento dos estoques de produtos lácteos na indústria, como leite em pó e queijos, o que dificulta o escoamento da produção e mantém a pressão baixista sobre os preços no campo.

Diante desse contexto, produtores relatam incerteza quanto à continuidade da atividade, especialmente entre pequenos e médios pecuaristas. Entidades do setor alertam que, sem recuperação dos preços ou medidas de apoio, a crise pode resultar na redução da produção nacional e no abandono da atividade em algumas regiões.

Enquanto isso, o mercado segue atento aos próximos meses, na expectativa de ajustes entre oferta e demanda que possam aliviar a pressão sobre o preço do leite e melhorar as condições para quem produz no campo.

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