Consumo de carne despenca na Argentina e atinge menor nível em duas décadas sob crise econômica


O tradicional hábito dos argentinos de consumir carne bovina está mudando rapidamente. Em meio ao aumento expressivo dos preços e à perda do poder de compra da população, o consumo da proteína caiu ao menor patamar dos últimos 20 anos no país governado por Javier Milei. 

Dados divulgados por entidades do setor apontam que o consumo anual de carne bovina por habitante chegou a cerca de 44,5 quilos em 2026, número muito inferior aos mais de 63 quilos registrados em 2006. A queda reflete a combinação entre inflação elevada, cortes de gastos públicos e alta dos alimentos. 

Desde que assumiu a presidência da Argentina, Milei implementou um forte pacote de austeridade econômica, reduzindo subsídios, enxugando ministérios e promovendo cortes em diversas áreas do governo. Embora a administração tenha conseguido reduzir o déficit fiscal, especialistas afirmam que a renda das famílias foi fortemente impactada. 

Outro fator que pesou no bolso dos argentinos foi a valorização da carne no mercado interno. Segundo informações do setor pecuário, os preços da carne bovina subiram mais de 60% em um ano. Ao mesmo tempo, o governo flexibilizou regras para exportação, aproximando os valores locais dos praticados internacionalmente. 

Com o orçamento mais apertado, muitos cosumidores passaram a trocar a carne bovina por opções mais baratas, como frango e carne suína. Açougues tradicionais de Buenos Aires também começaram a ampliar a oferta desses produtos para acompanhar a mudança no comportamento dos clientes. 

Economistas argentinos afirmam que o cenário atual mostra um contraste: enquanto o governo celebra resultados fiscais mais positivos, parte da população enfrenta dificuldades para manter hábitos de consumo historicamente comuns no país. (AP News)

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