Novo El Niño preocupa meteorologistas e aumenta risco de enchentes no Sul do Brasil
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| Foto Folha Agricola |
O avanço de um novo episódio do fenômeno climático El Niño já é tratado como praticamente inevitável por especialistas em meteorologia. Segundo análises recentes, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve atingir oficialmente os níveis do fenômeno nas próximas semanas, elevando a preocupação com períodos de chuva intensa no Rio Grande do Sul e em outras áreas da Região Sul.
De acordo com projeções meteorológicas, os impactos mais significativos devem ocorrer no segundo semestre deste ano, especialmente entre maio e junho, meses historicamente marcados por instabilidade climática no Estado.
Os dados utilizados para monitorar o comportamento do Pacífico mostram que a temperatura do mar já alcançou índices compatíveis com El Niño pelo método tradicional de medição, conhecido como ONI (Oceanic Niño Index). Mesmo assim, a agência climática dos Estados Unidos ainda não oficializou o início do fenômeno porque passou a adotar um novo sistema de análise, chamado Roni, criado para ajustar os efeitos do aquecimento global nas medições dos oceanos.
A mudança ocorreu porque a elevação geral da temperatura dos mares no planeta vinha dificultando comparações com médias históricas antigas. Com o novo critério, os especialistas acreditam que o reconhecimento oficial do El Niño deve acontecer em breve.
Há risco de enchentes semelhantes às de 2024?
A possibilidade de novas cheias preocupa moradores e autoridades, principalmente após os eventos extremos registrados no Rio Grande do Sul em 2024. Apesar disso, meteorologistas alertam que um El Niño mais forte não significa automaticamente uma repetição exata das enchentes do ano passado.
Especialistas explicam que cada episódio do fenôeno possui características próprias. Eventos considerados historicamente muito intensos, como os registrados em 1982-1983 e 1997-1998, causaram grandes prejuízos, mas não atingiram as mesmas proporções da tragédia climática recente no Estado.
Ainda assim, a tendência de aumento no volume de chuva é vista como bastante provável nos próximos meses. O tamanho dos impactos, porém, dependerá também de outros fatores atmosféricos que só podem ser avaliados com maior precisão em previsões de curto prazo.
Por que o El Niño influencia tanto o clima do Sul?
O El Niño altera a circulação atmosférica global ao aquecer as águas do Pacífico Equatorial. No Sul do Brasil, esse fenômeno costuma favorecer a formação de frentes frias mais frequentes e chuvas acima da média, principalmente durante a primavera e o fim do outono.
Além das enchentes, o excesso de precipitação pode provocar deslizamentos, prejuízos agrícolas e transtornos urbanos, tornando o monitoramento climático fundamental nos próximos meses.
